5. Tratamento do TP e da Agorafobia:
5.1. Medicamentoso:
O tratamento medicamentoso é uma opção, porém, em alguns casos, somente o uso de técnicas psicoterápicas serão suficientes.
O tratamento medicamentoso é feito com antidepressivos (ADs) ou pregabalina.
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A pregabalina é um medicamento que tem ação nos sintomas de ansiedade por reduzir a excitação neuronal. Isto ocorre através do bloqueio de receptores de canais de cálcio nos neurônios glutamatérgicos.
5.2. Não medicamentoso:
Mesmo em uso de medicamentos, existe uma ampla gama de estudos demonstrando que o tratamento medicamentoso de TP e Agorafobia deve ser sempre acompanhado de técnicas psicoterápicas. Importante ressaltar que nem sempre será necessária psicoterapia intensiva, do tipo com frequência semanal. Entretanto, durante as consultas com o psiquiatra, algumas técnicas psicoterápicas devem ser usadas.
No item 5.2.c, descrevo as técnicas básicas utilizadas. Além destas, algumas outras são trabalhadas, de acordo com o(s) seus(s) diagnóstico(s).
5.2.a) Motivos:
➜ Propicia remissão mais rápida dos sintomas, através da compreensão e do manejo destes e dos seus fatores precipitantes.
➜ Auxilia na resolução de outros sintomas que não são resolvidos com o uso do(s) medicamento(s) prescrito(s). Por exemplo, sentimentos de vazio e sensação de falta de direcionamento na vida, entre outros.
➜ Aumenta a probabilidade de doses menores de medicamentos.
➜ Aumenta a probabilidade de, depois de um período de tratamento medicamentoso, não necessitar mais de tratamento farmacológico.
4.2.b) As técnicas psicoterápicas têm por objetivo:
➜ Identificar e implementar estratégias para resolução de sintomas.
➜ Identificar e implementar estratégias para resolução de fatores estressores que possam estar causando ou agravando sintomas.
➜ Identificar e implementar estratégias para modificação de formas distorcidas de interpretar a realidade (para saber mais, clique aqui).
➜ Identificar e implementar estratégias para modificação de padrões cognitivos prejudiciais (para ler mais, clique aqui).
➜ Desenvolver e implementar estratégias de enfrentamento, especialmente no caso de conflitos.
➜ Implementar técnicas para a melhora da qualidade de vida e bem-estar, em especial, praticar exercícios físicos, ter regularidade no sono, alimentar-se de forma saudável e usar técnicas de relaxamento.
➜ Fortalecer a rede de suporte social.
➜ Fortalecer a autoestima.
➜ Desenvolver autonomia.
4.2.c) Quais são as técnicas mais recomendadas:
► No início, sempre utilizamos a Psicoeducação. Trata-se de uma abordagem psicoterapêutica que ajuda o paciente a compreender como o transtorno se manifesta, reconhecer sintomas e identificar fatores que desencadeiam ou agravam o quadro.
Além disso, avaliar questões sobre o tratamento medicamentoso, quando for o caso, considerando tópicos como o que esperar do(s) medicamento(s) usado(s), efeitos colaterais possíveis, tempo de tratamento, etc.
► Conforme o tratamento vai sendo feito, são trabalhados elementos da Terapia Cognitivo-comportamental (TCC). A TCC inicia com a identificação e posteriormente técnicas de modificação de pensamentos disfuncionais, que são interpretações distorcidas, exageradas ou negativas sobre si mesmo, os outros e a realidade, influenciando negativamente nas emoções e comportamentos. Assim, quando temos pensamentos disfuncionais (distorcidos), o resultado serão emoções e comportamentos também disfuncionais, o que, em última análise, são os sintomas.
Nesses casos, a pessoa tende a ignorar evidências que contradizem o pensamento disfuncional. Um exemplo comum é a catastrofização, que ocorre quando um problema relativamente pequeno é interpretado como algo de grande risco ou gravidade, gerando medo intenso de consequências desproporcionais, como grandes perdas ou prejuízos.
A TCC também trabalha com o reforço de comportamentos saudáveis e promoção do bem-estar e qualidade de vida.
► Por fim, são trabalhadas técnicas da Terapia do Esquema. Esquemas são estruturas cognitivas que contêm as crenças mais profundas sobre nós mesmos, os outros e o mundo. Quando induzem a avaliações incorretas e enviesadas da realidade, provocando emoções, reações corporais e comportamentos negativos, são chamados de disfuncionais.
Os pensamentos disfuncionais derivam de crenças centrais disfuncionais. Por exemplo, uma pessoa que acredita ser incompetente e nunca ser boa o suficiente produzirá pensamentos disfuncionais compatíveis com isso. Quando receber uma crítica, poderá dramatizar em demasiado a situação e entender isso como uma comprovação de que realmente não é capaz. Ao contrário, alguém que acredite nas suas capacidades, poderá interpretar a crítica como algo comum, simplesmente uma sinalização de que algo pode ser feito de forma diferente.
5. Comorbidades:
A presença de outros transtornos psíquicos associados a TP ou Agorafobia (comorbidades) é comum. Durante muito tempo, prevaleceu a ideia de que os transtornos psíquicos ocorreriam de forma isolada, sendo inclusive incentivada a busca por um diagnóstico único.
No entanto, evidências mais recentes, provenientes de estudos epidemiológicos, têm demonstrado que a comorbidade é muito frequente em psiquiatria. Nestes casos, o conjunto de transtornos deve ser alvo de tratamento, pois, muitas vezes, não tratar um pode impedir a melhora de outro transtorno. Por exemplo, não tratar Depressão pode prejudicar o tratamento de TP ou Agorafobia.
Por outro lado, muitas vezes o tratamento de um transtorno pode piorar o(s) outro(s). Desta forma, quando há mais de um transtorno, pode haver a necessidade de se implementar tratamentos em etapas, seguindo protocolos estabelecidos. Por exemplo, no caso de TP e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), inicia-se o tratamento para TP e depois para TDAH. Tratar TDAH logo no início causa prejuízos no tratamento do TP.
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Dr. Daniel Maffasioli Gonçalves
Médico Psiquiatra em Florianópolis, Mestre, PhD
CRM/SC 20397–RQE/SC 11560