1. Introdução:
⮑ No final do artigo, dois presentes para você!
Nota: é fortemente sugerido que você inicie pela leitura do artigo Medo: mecanismos de reação ao medo e transtornos ansiosos, clicando aqui.
Neste artigo, abordo o Transtorno do Pânico (TP) e a Agorafobia, que são dois transtornos de ansiedade, sintomas básico às duas condições.
O TP, descrito em detalhes mais adiante, é caracterizado por:
| . ataques de pânico recorrentes, que são súbitos e sem fator desencadeante (embora algumas vezes possa haver algum gatilho). |
| . ansiedade persistente pelo medo da ocorrência de um novo ataque. |
| . mudanças de comportamento adaptativas – como não querer sair de casa ou não querer ficar sozinho. |
A Agorafobia é caracterizada por:
| . medo ou evitação de estar em situações ou lugares devido à crença de que, na ocorrência de um ataque de pânico ou de uma emergência médica, por exemplo, seja difícil sair ou conseguir ajuda. |
O TP pode ocorrer com ou sem Agorafobia e a Agorafobia pode ocorrer de forma isolada ou com ataques de pânico eventuais, mas neste caso sem caracterizar um TP.
2. Ataques de pânico:
2.1. Introdução:
Ataques de pânico são eventos relativamente comuns, sendo estimado que ocorram em até 25% da população ao longo da vida.
É fundamental destacar que ataques de pânico podem ocorrer em diversos contextos psiquiátricos, como no Transtorno Depressivo Maior, Transtornos Relacionados ao Trauma, entre outros. Isso significa que a presença de ataques de pânico, por si só, não configura um diagnóstico de TP, como será abordado mais adiante.
2.2. Como é feito o diagnóstico:
Os dois manuais diagnósticos mais utilizados na prática psiquiátrica são:
► Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5-TR: Texto Revisado (a sigla DSM-5-TR deriva do título original em inglês: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition – Text Revision (DSM-5-TR)).
► Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde 11a Revisão – CID 11 (título original em inglês: International Classification of Diseases and Related Health Problems 11th Revision – ICD 11).
A CID 11 é utilizada no Brasil oficialmente para codificação dos transtornos psíquicos. Entretanto, na prática, utiliza-se o DSM-5-TR como guia diagnóstico, visto que se trata de um manual muito mais sofisticado, onde os critérios diagnósticos são apresentados de forma muito mais completa e detalhada que na CID 11. Isto não cria discrepâncias, uma vez que os nomes e a caracterização básica dos transtornos psíquicos, assim como os grupos a que pertencem, seguem as mesmas regras nos dois manuais.
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Dr. Daniel Maffasioli Gonçalves
Médico Psiquiatra em Florianópolis, Mestre, PhD
CRM/SC 20397–RQE/SC 11560