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Episódio Depressivo Maior – parte final

Sentimentos de culpa excessiva:

A culpa é o sentimento de responsabilidade pelos resultados negativos de um acontecimento. Nos estados depressivos, torna-se excessiva e a pessoa assume de forma exagerada e integral a responsabilidade pela ocorrência de eventos negativos atuais ou passados, mesmo nos casos em que sequer teve alguma participação ou obrigação de envolvimento. Não considera, por exemplo, as circunstâncias externas ou a participação de outras pessoas.

Ocorre de forma mais severa quando a pessoa não tem mais condições de trabalhar e realizar atividades do dia a dia. Isto, associado ao sentimento de inutilidade, faz com que se considere “um estorvo” para pessoas próximas, chegando, em casos mais severos, a cogitar suicídio por acreditarem que “só incomodam” e “dão muito trabalho”. Também pode ocorrer a crença de que os sintomas depressivos são um castigo por erros do passado ou mesmo um castigo de Deus por ter sido mau.

Diminuição da capacidade de pensar, de se concentrar ou de tomar decisões:

Como decorrência dos baixos níveis de energia, fadiga, humor deprimido e falta de motivação, a pessoa apresenta lentidão do pensamento e do raciocínio, como já mencionado. Por este motivo, não consegue direcionar sua atenção para o que está fazendo ou pensando. Fica então muito dispersa e confusa, especialmente se houver vários estímulos externos. É comum, por exemplo, evitar situações sociais por não conseguir acompanhar uma conversa.

Devido a este quadro, tomar decisões pode se tornar uma tarefa difícil, uma vez que exige concentração e raciocínio acurado para avaliar todas as possibilidades.

Pensamentos recorrentes de morte, ideação suicida, plano suicida ou tentativa de suicídio:

Pensamentos de morte são muito comuns no Episódio Depressivo Maior (EDM). Variam desde um desejo passivo, expresso como “queria não acordar amanhã” ou “queria dormir para sempre”, até uma vontade real de acabar com a própria vida – ao que chamamos de ideação suicida. No plano suicida já existe toda uma estratégia pensada de como iria se matar, com detalhes tais como hora, local e método de suicídio. Mais sobre suicídio, clique aqui.

Problemas de memória:

Apesar de ser um sintoma muito frequente no EDM, surpreendentemente, não está entre os critérios necessários para o diagnóstico. O esquecimento é um sintoma que gera muita angústia. “Nunca sei onde coloquei minhas chaves”, “estou sempre procurando minha carteira com documentos”, “saio de casa e fico pensando e pensando se tranquei a porta”.

Em geral, a memória imediata (que dura de segundos a poucos minutos) e a recente (que dura de minutos a poucas horas) são as mais prejudicadas. A memória remota está geralmente preservada, a não ser em casos muito graves. É um sintoma bastante perturbador e não raro as pessoas acreditam estar com uma doença neurológica, como demência.

Sintomas psicossomáticos:

Sintomas físicos com causa psíquica – ou sintomas psicossomáticos, são muito comuns. Dores musculares e nas articulações, dores de cabeça, diarreia, constipação intestinal, sensação de ondas de calor, aperto no peito, falta de ar, tontura, queimação no estômago (epigastralgia), arrepios, dores abdominais, entre outros sintomas, ocorrem e podem desviar a atenção do foco principal, que é o estado depressivo.

Assim como a memória, não estão contemplados nos critérios diagnósticos, com exceção da fadiga.

Sua ocorrência pode muitas vezes confundir e retardar o diagnóstico. Pelo fato de terem uma localização “visível”, e serem menos carregados de preconceito, são muito mais relatados em consulta que os sintomas depressivos. Na mesma direção, são mais valorizados pelos médicos.

Sintomas dissociativos:

Sintomas dissociativos são caracterizados por uma desconexão ou interrupção na continuidade normal da consciência, percepção, emoções e senso de si ou da realidade, podendo ser vivenciados como se a pessoa estivesse em um sonho.

São de dois tipos:

Despersonalização: experiências em que a pessoa se sente desconectada, separada de si, como se fosse um observador externo de seus próprios pensamentos, sentimentos e corpo.

. Desrealização: experiências em que a pessoa se sente desligada, separada da realidade, como se fosse um observador externo dos acontecimentos.

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Dr. Daniel Maffasioli Gonçalves
Médico Psiquiatra em Florianópolis, Mestre, PhD
CRM/SC 20397–RQE/SC 11560

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