São condições clínicas que se manifestam pelo atraso ou incapacidade de adquirir alguma capacidade intelectual. A co-ocorrência de dois ou mais destes transtornos é quase a regra.
1. Transtornos específicos da aprendizagem:
1. Com prejuízo na leitura:
1.a) Dislexia: a criança não consegue relacionar os fonemas (sons) com as letras, ou seja, não decodifica a linguagem escrita. Assim há muita dificuldade para ler e escrever, quando consegue. Tende a se manter na idade adulta. Prevalência de 3 a 10%.
1.b) Prejuízo da Compreensão da Leitura: a criança consegue ler em voz alta, mas não entende o que lê. Prevalência de 5%.
2. Com prejuízo na Expressão Escrita: a criança consegue se expressar verbalmente, porém não através da escrita. Prevalência de 5 a 15%.
3. Transtorno da Matemática (ou aritmética): a criança não reconhece números e símbolos matemáticos, assim como fatos aritméticos, e por isso não é capaz de calcular. Prevalência de 2 a 6%.
2. Transtornos da comunicação, fala e linguagem:
1. Transtorno da Linguagem: caracterizado por dificuldade na aprendizagem e no uso da linguagem falada e escrita, com déficits tanto na sua compreensão quanto na sua produção. O vocabulário é restrito. A criança tem dificuldades em fazer uso da gramática e morfologia para formar frases. Como consequência das duas deficiências terá problemas em unir palavras em frases a fim de explicar algum tópico ou descrever algum evento. Ressalta-se que isso é comum até os quatro anos de idade, quando não será considerado um transtorno. Tem prevalência de 1 a 5%.
2. Transtorno da Fala: há problemas na produção da fala. A criança fala de forma errada, podendo ser incompreensível em alguns momentos. Troca, omite e distorce fonemas, apesar de não ter deficiências na aprendizagem da linguagem. Ressalta-se que esta deficiência na fala é comum até sete anos de idade. Prevalência de 1 a 2%.
3. Transtorno da Fluência: é a famosa gagueira, que acomete quatro vezes mais meninos que meninas. A criança apresenta repetição de sílabas, prolongamentos sonoros, palavras interrompidas, pausas e repetição de palavras monossilábicas (eu-eu-eu quero). Ocorrem substituições de palavras quando tem dificuldade em pronunciar alguma. A fala ocorre com excesso de tensão física. Prevalência de 1 a 5%.
4. Transtorno da Comunicação Social (pragmática): apesar de ter vocabulário adequado e saber usar a gramática, a criança não consegue utilizar a linguagem de forma prática para se fazer ser entendida. Também não compreende bem o que lhe é dito. Tem dificuldade em perceber sinais não verbais e conteúdos verbais implícitos nas interações sociais. Por fim tem dificuldades em seguir regras normais de conversa: não aguarda a vez de falar, não consegue reconstituir episódios verbalmente, etc. Prevalência desconhecida.
O tratamento é feito de forma multidisciplinar com psiquiatra, fonoaudiólogo e pedagogo.
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Dr. Daniel Maffasioli Gonçalves – Psiquiatra em Florianópolis e Caxias do Sul
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