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Transtorno de Estresse Pós-traumático em indivíduos com sete anos ou mais

2.2.a) Critérios diagnósticos para Transtorno de Estresse Pós-traumático (TEPT) em indivíduos com sete anos ou mais:

Os sintomas de TEPT sempre são de quatro tipos, classificados por letras, sendo que deve haver sintomas de todos os agrupamentos para um diagnóstico.

A. Exposição a episódio concreto ou ameaça de morte, lesão grave ou violência sexual em uma (ou mais) das seguintes formas:

1. Vivenciar diretamente o evento traumático.
2. Testemunhar pessoalmente o evento traumático ocorrido com outras pessoas.
3. Saber que o evento traumático ocorreu com familiar ou amigo próximo. Nos casos de episódio concreto ou ameaça de morte envolvendo um familiar ou amigo, é preciso que o evento tenha sido violento ou acidental.
4. Ser exposto de forma repetida ou extrema a detalhes aversivos do evento traumático (por exemplo, socorristas que recolhem restos de corpos humanos; policiais repetidamente expostos a detalhes de abuso infantil).

Nota: O Critério A4 não se aplica à exposição por meio de mídia eletrônica, televisão, filmes ou fotografias, a menos que tal exposição esteja relacionada ao trabalho.

B. Sintomas intrusivos (presença de um (ou mais) dos seguintes sintomas intrusivos associados ao evento traumático, começando depois de sua ocorrência):

1. memórias intrusivas: lembranças invadem a mente, apesar de serem muito indesejadas e desagradáveis.
Nota: Em crianças acima de 6 anos de idade, pode ocorrer brincadeira repetitiva na qual temas ou aspectos do evento traumático são expressos.
2. pesadelos recorrentes relacionados ao trauma. Nota: Em crianças, pode haver pesadelos sem conteúdo identificável.
3. flashbacks: momentos em que o indivíduo sente ou age como se o trauma estivesse acontecendo de novo, podendo chegar à falta de consciência sobre o meio externo. Nota: Em crianças, a reencenação específica do trauma pode ocorrer na brincadeira.
4. sofrimento ou reações fisiológicas intensas quando exposto a sinais internos ou externos que simbolizem o trauma: por exemplo, sofrimento ao sentir taquicardia nos casos em que ocorreu taquicardia durante o trauma (sinal interno) ou apresentar sudorese e tremores ao ver uma notícia na televisão envolvendo violência após ter sido sequestrado (sinal externo).
5. Reações fisiológicas intensas a sinais internos ou externos que simbolizem ou se assemelhem a algum aspecto do evento traumático.

C. Sintomas evitativos (evitação persistente de estímulos associados ao evento traumático, começando após a ocorrência do evento, conforme evidenciado por um ou ambos dos seguintes aspectos:):

1. esforços para evitar memórias, pensamentos ou sentimentos relacionados ao trauma ou muito semelhantes a este.
2. evitação de pessoas ou situações que provoquem memórias, pensamentos ou sentimentos relacionados ao trauma ou muito semelhantes a este: por exemplo, após um assalto em uma loja, não voltar a entrar em lojas.

D. Alterações negativas de humor e cognição (alterações negativas em cognições e no humor associadas ao evento traumático começando ou piorando depois da ocorrência de tal evento, conforme evidenciado por dois (ou mais) dos seguintes aspectos):

1. incapacidade de relembrar alguma parte importante do trauma (geralmente devido à amnésia dissociativa, e não a outros fatores, como traumatismo craniano, álcool ou drogas).
2. crenças ou expectativas negativas persistentes e exageradas sobre o futuro de si próprio, de pessoas próximas ou do mundo: por exemplo, crenças tais como “eu sou mau”, “ninguém é confiável”, “o mundo é extremamente perigoso”.
3. cognições distorcidas e persistentes sobre a causa ou consequência do evento, provocando em geral que o indivíduo culpe a si mesmo ou aos outros pelo fato consumado de forma irreal.
4. estado emocional negativo persistente, tais como raiva, horror, medo e vergonha.
5. Interesse ou participação bastante diminuída em atividades significativas.
6. sentimentos de desligamento ou de estranhamento em relação aos outros.
7. incapacidade persistente de vivenciar emoções positivas (por exemplo, incapacidade de vivenciar sentimentos de felicidade, satisfação ou amor).

E. Sintomas de excitação e reatividade (alterações marcantes na excitação e na reatividade associadas ao evento traumático, começando ou piorando após o evento, conforme evidenciado por dois (ou mais) dos seguintes aspectos):

1. Comportamento irritadiço e surtos de raiva (com pouca ou nenhuma provocação) geralmente expressos sob a forma de agressão verbal ou física em relação a pessoas e objetos.
2. Comportamento imprudente ou autodestrutivo.
3. hipervigilância: estado de permanentemente estado de alerta, como se algo muito ameaçador estivesse por acontecer.
4. resposta de sobressalto exagerada. Por exemplo, quando ouve um barulho qualquer assusta-se de forma muito intensa.
5. diminuição da concentração.
6. perturbação do sono (dificuldade para iniciar ou manter o sono, ou sono agitado).

F. A perturbação (Critérios B, C, D e E) dura mais de um mês. Tipicamente surgem em até três meses após o trauma, embora haja casos em que surjam depois de seis meses ou mais (denominado então de TEPT de aparecimento tardio). A duração dos sintomas tem grande variação individual, podendo remitir num período de até três meses após o trauma, ou então necessitar de tratamento.

G. A perturbação causa sofrimento clinicamente significativo e prejuízo social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

H. A perturbação não se deve aos efeitos fisiológicos de uma substância (por exemplo, medicamento, álcool) ou a outra condição médica.

Em alguns casos, ocorrem, além da amnésia dissociativa, outros sintomas dissociativos, como:

. Despersonalização: experiências em que a pessoa se sente desconectada, separada de si, como se fosse um observador externo de seus próprios pensamentos, sentimentos e corpo.

. Desrealização: experiências em que a pessoa se sente desligada, separada da realidade, como se fosse um observador externo dos acontecimentos.

Por fim, como já mencionado, temos o TEPT com expressão tardia, se todos os critérios diagnósticos não forem atendidos até pelo menos seis meses depois do evento, embora a manifestação inicial e a expressão de alguns sintomas possam ser imediatas.

Assim como a maioria dos outros transtornos, existe uma demora considerável entre o início dos sintomas, com seus prejuízos consequentes, e a busca por tratamento.

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Dr. Daniel Maffasioli Gonçalves
Médico Psiquiatra em Florianópolis, Mestre, PhD
CRM/SC 20397–RQE/SC 11560

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