2.2.a) Critérios diagnósticos para Transtorno de Estresse Pós-traumático (TEPT) em indivíduos com seis anos ou menos:
A. Em crianças de 6 anos ou menos, exposição a episódio concreto ou ameaça de morte, lesão grave ou violência sexual em uma (ou mais) das seguintes formas:
| 1. Vivenciar diretamente o evento traumático. |
| 2. Testemunhar pessoalmente o evento ocorrido com outras pessoas, especialmente cuidadores primários. |
| 3. Saber que o evento traumático ocorreu com pai/mãe ou cuidador. |
B. Sintomas intrusivos (presença de um (ou mais) dos seguintes sintomas intrusivos associados ao evento traumático, começando depois de sua ocorrência):
| 1. Lembranças intrusivas angustiantes, recorrentes e involuntárias do evento traumático. Nota: Lembranças espontâneas e intrusivas podem não parecer necessariamente angustiantes e podem ser expressas como reencenação em brincadeiras. |
| 2. Sonhos angustiantes recorrentes nos quais o conteúdo e/ou a emoção do sonho estão relacionados ao evento traumático. Nota: Pode não ser possível determinar que o conteúdo assustador está relacionado ao evento traumático. |
| 3. Reações dissociativas (por exemplo, flashbacks) nas quais a criança sente ou age como se o evento traumático estivesse acontecendo novamente. (Essas reações podem ocorrer em um continuum, com a expressão mais extrema manifestada como uma perda completa da percepção do ambiente ao redor.) Essa reencenação específica do trauma pode ocorrer na brincadeira. |
| 4. Sofrimento psicológico intenso ou prolongado ante a exposição a sinais internos ou externos que simbolizem ou se assemelhem a algum aspecto do evento traumático, |
| 5. Reações fisiológicas intensas a lembranças do evento traumático. |
C. Sintomas evitativos (evitação persistente de estímulos: um (ou mais) dos seguintes sintomas, representando evitação persistente de estímulos associados ao evento traumático ou alterações negativas em cognições e no humor associadas ao evento traumático, deve estar presente, começando depois do evento ou piorando após sua ocorrência):
| 1. Evitação ou esforços para evitar atividades, lugares ou lembranças físicas que despertem recordações do evento traumático. |
| 2. Evitação ou esforços para evitar pessoas, conversas ou situações interpessoais que despertem recordações do evento traumático. |
| 3. Frequência substancialmente maior de estados emocionais negativos (por exemplo, medo, culpa, tristeza, vergonha, confusão). |
| 4. Interesse ou participação bastante diminuídos em atividades significativas, incluindo redução do brincar. |
| 5. Comportamento socialmente retraído. |
| 6. Redução persistente na expressão de emoções positivas. |
D. Sintomas de excitação e reatividade associadas ao evento traumático, começando ou piorando depois de sua ocorrência (conforme evidenciado por dois (ou mais) dos seguintes aspectos):
| 1. Comportamento irritadiço ou surtos de raiva (com pouca ou nenhuma provocação) geralmente manifestados como agressão verbal ou física em relação a pessoas ou objetos (incluindo acessos de raiva extremos). |
| 2. Hipervigilância. |
| 3. Respostas de sobressalto exageradas. |
| 4. Problemas de concentração. |
| 5. Perturbação do sono (por exemplo, dificuldade em iniciar ou manter o sono, ou sono agitado). |
E. A perturbação dura mais de um mês.
F. A perturbação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo nas relações com pais, irmãos, amigos ou outros cuidadores ou no comportamento na escola.
G. A perturbação não se deve aos efeitos fisiológicos de uma substância (por exemplo, medicamento ou álcool) ou a outra condição médica.
3. Tratamento para TEPT em indivíduos com seis anos ou menos:
O tratamento é feito com psicoterapia, sendo as mais indicadas a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) e a Eye Movement Dessensitization and Reprocessing, que em português significa Dessensibilização e Reprocessamento através do Movimento dos Olhos.
Em qualquer modalidade, a Psicoeducação (orientações sobre causas, sintomas e tratamentos para o transtorno deve estar incluída).
Antidepressivos e/ou antipsicóticos são geralmente usados em associação com a psicoterapia. Mais sobre antidepressivos clique aqui.
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Dr. Daniel Maffasioli Gonçalves
Médico Psiquiatra em Florianópolis, Mestre, PhD
CRM/SC 20397–RQE/SC 11560