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Demências – Parte 2

b) Demência Vascular

Muito raro ocorrer sozinha. Em geral ocorre com outro tipo de demência concomitantemente.

Os sintomas tendem a ser os mesmos da Doença de Alzheimer. A diferença é que na Demência Vascular tendem a surgir de forma repentina e não gradual, embora isto não seja uma regra.

Os fatores de risco são:

. idade avançada;

. história de acidente vascular cerebral (AVC): 10% das pessoas acometidas de AVC desenvolvem demência e 30% após dois ou mais AVCs;

. baixo nível socioeconômico;

. hipertensão arterial;

. doença vascular; .

. fumo;

. obesidade;

. diabetes;

. hipercolesterolemia: altos níveis de colesterol total e LDL no sangue.


c) Demência por corpos de Levy

Os sintomas se desenvolvem de forma insidiosa. Os principais são:

. flutuações de atenção e capacidade cognitiva durante o dia;

. alucinações visuais;

. alterações motoras tipo parkinsonismo: rigidez, tremores, alterações no andar e lentidão dos movimentos. Iniciam junto com os sintomas de disfunção neurocognitiva ou um ano após;

. quedas;

. delírios.


d) Demência frontotemporal

Inicia mais precocemente que as outras demências e afeta especialmente a linguagem e o comportamento. Os sintomas se desenvolvem de forma insidiosa. Existem três subtipos, conforme segue:

. Comportamental: falta de empatia, desinibição social, inflexibilidade mental, comportamentos repetitivos e ritualísticos, falta de julgamento em relação ao comportamento, hiperoralidade (por exemplo, come muito doce), depressão, labilidade de humor e incontinência urinária e/ou fecal;

. Semântica: incapacidade de nomear objetos, dificuldade para encontrar palavras, dificuldades na compreensão verbal;

. Não fluente (ou afasia progressiva primária ou Doença de Pick): fala arrastada, uso incorreto da gramática e anomia (incapacidade de nomear objetos).

. De 20 a 30% apresenta sintomas de parkinsonismo.


3. Tratamento:

Em relação ao tratamento, existem duas classes: inibidores da colinesterase (donepezil, rivastigmina e galantamina) e o antagonista dos receptores NMDA memantina. O tratamento das demências ainda é assunto controverso.

Os efeitos dos medicamentos disponíveis não têm qualquer impacto na evolução da doença. Isto quer dizer que não impedem que se agrave com o tempo.

O que se sabe é que no caso da Doença de Alzheimer podem atenuar a gravidade dos sintomas ao nível de severidade de seis meses atrás. Ou seja, numa doença de evolução de cinco anos, com o uso do medicamento é como se o indivíduo estivesse com quatro anos e meio de evolução. Os efeitos são muito modestos.

Um ponto em que todos concordam é que não devem ser usados em quadros de Doença de Alzheimer mais graves, pois há o risco de agravamento da doença, e nem em transtornos cognitivos leves. Assim, a indicação em geral é para demências leves e moderadas, muito embora não haja consenso sobre seus benefícios reais a longo prazo. A rivastigmina parece melhorar quadros de Demência por Corpos de Levy.

Não há indicação de uso nas outras demências.


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Dr. Daniel Maffasioli Gonçalves – Psiquiatra em Florianópolis e Caxias do Sul
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